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24 de jul de 2011

Arlindo Silva.

Conheceu Silvio Santos quando era repórter da revista O Cruzeiro. Acostumado a grandes coberturas, notou que na televisão de São Paulo aquele animador de auditório era um fenômeno cuja história de vida era tão interessante quanto o sucesso estrondoso que fazia na terra da garoa, e que o resto do Brasil ainda não conhecia. Numa série de reportagens, entrevistou o personagem e, de tão envolvido com aquela figura que se tornaria mítica, tornou-se seu assessor e biógrafo.

Foi diretor de jornalismo da TVS, aliás, do SBT, o primeiro diretor jornalístico da rede, comandando a modesta equipe que fazia o Noticentro, o pioneiro noticiário da emissora recém inaugurada.

Como pesquisador e admirador da vida de Silvio Santos, escreveu dois livros: A Vida Espetacular de Silvio Santos, da L'Oren, em 1972, compilando as entrevistas que fizera para O Cruzeiro, e A Fantástica História de Silvio Santos, da Editora do Brasil, em 2000, um verdadeiro best seller.

Faleceu hoje, desfalcando a lista de convidados do 30º aniversário da emissora que ajudou a construir.

SBT 30 anos - Top 8 trilhas sonoras

1 - Pião da Casa Própria (Henry Jerome)

“Roda o pião da casa própria, rodam!”. Não há trilha que crie mais emoção do que a do pião da casa própria, quem nunca ficou torcendo durante o Tentação (na minha época anos 90) para algum cliente do Baú da Felicidade que rodava o pião sonhando em ganhar uma casa no valor de R$ 50.000,00? A trilha foi obra de Henry Jerome e a orquestra Metais em Brasa e tem o nome de Holiday for Strings.

2 - Torta na Cara (Ben Liebrand)

“Torta neleee! Oooopaaaa!”. Um dos momentos mais aguardados do game show “Passa ou Repassa” sem dúvida era o torta na cara, durante todo o quadro a música que embalava o pastelão era The Eve Of The War (Deep Space Mix), um remix do DJ holandês Ben Liebrand.

3 Sorteio da Telesena (Vicki Sue Robinson)

“Bola 21, marque o número 21”. Enquanto Silvio Santos diz os números, telespectador/cliente marca a Telesena e ouve uma regravação de Vicki Sue Robinson para, To Sir With Love, sucesso do filme britânico homônimo de 1967, que virou single em 1983.

4 Calendário da TVS/SBT (Barry White/HBO)

“Nós somos a TVS, canal 4 de São Paulo, ZYB 855, uma das 46 emissoras do Sistema Brasileiro de Televisão. Domingo, 21 de Fevereiro de 1988”
Depois de uma vinheta onde uma luz no espaço trazia o logotipo da TVS carregada por outras luzes só que agora verdes, um locutor informava aos desavisados que dia era aquele. A trilha da primeira vinheta citada era a da emissora americana HBO, a segunda era Jamaican Girl do cantor de soul e disco Barry White acompanhado da Love Unlimited Orchestra.

5 Domingo Legal (Vangelis)

Marcou a cobertura de fatos jornalísticos pelo Domingo Legal sendo o primeiro deles o acidente com os Mamonas Assassinas. Desde então sempre que havia um fato urgente, a música Nucleogenesis (parte I), ajuda a dar um tom de tensão e medo ao que estava sendo mostrado. A canção instrumental foi composta por Vangelis e está no álbum Albedo 0.39 de músicas compostas sob a temática de física e espaço.

6 Roletrando (Percy Faith/7th Wonder)

“Vamos lá Fulana, roletrando!”. Seja o Baú da Felicidade, Cica, Veja e sua turma ou qualquer outro patrocinador o antigo Roletrando, atual Roda a Roda, é um game que está na TV brasileira há 30 anos (não consecutivos), e a sua abertura marcou época. Loves Theme de Percy Faith era o tema de abertura do Roletrando, mas esse não foi único som que ficou na memória do público, quando o participante girava a roleta uma outra trilha fez sucesso era Do It With Your Body da banda 7th Wonder.

7 Hot Hot Hot (Arrow)

“Dançando e rodando! Isto é quente, quente, quente!”. Num cenário brega-tropical, Silvio Santos animava as colegas de trabalho e o telespectador em ritmo caribenho com a música Hot Hot Hot no programa de mesmo nome, em 1994/1995, apresentando gincanas a lá Olimpíadas do Faustão, concursos e musicais. Gravada em 1982 pelo cantor Arrow – seu nome verdadeiro é Alphonsus Celestine Edmund Cassell-, ganhou as paradas inglesas daquele ano e foi o grande sucesso do artista. Arrow morreu em 15 de setembro de 2010 em decorrência de um câncer no cérebro, na qual lutava contra haviam dois anos.

8 Encerramento e Início das Transmissões do SBT (Giorgio Moroder)

“A partir deste momento as emissoras do SBT encerram suas transmissões de hoje. Boa Noite”, “A partir deste momento as emissoras do SBT dão início às suas transmissões de hoje. Boa Dia”.
Iniciando ou encerramento as transmissões do SBT, a trilha marcou muitos insones e crianças que acordavam cedo para ir à escola, os pequenos achavam que o satélite jogando o sinal para as afiliadas eram um regador jogando água no mapa ou mesmo um saleiro. A música, The Fight, fez parte do filme Falcão – O campeão dos campeões, de 1987, composta por Giorgio Moroder. Ficou no ar até 1996.

por Jorge William

15 de jul de 2011

SBT 30 anos - Top 8 Desenhos

Começamos agora uma série especial em comemoração aos 30 anos do SBT. Nela, a cada post, iremos reverenciar oito momentos importantes ou memoráveis da emissora.

Nossa viagem pelos 30 anos do SBT deverá passará pelos seguintes temas - não necessariamente nessa ordem*:

Desenhos animados
Seriados
Filmes
Programas do Silvio
Programas de auditório
Programas infantis
Personagens da Praça
Reality-Show
Novelas Nacionais
Novelas Mexicanas
Programas que duraram menos de 6 meses
Programas que mais mudaram de horário
Programas que mais tempo ficaram no ar
Maiores audiências
Polêmicas
Momentos marcantes do Silvio Santos

*sujeito a mudanças.

O primeiro tema é desenhos animados, e quem faz a seleção é nosso amigo José Eustáquio Jr., do blog SBTpedia.

1. Pica-Pau
Ele hoje é da concorrência. Mas a turma de Pica-Pau, Leôncio e Zeca Urubu, encantou a infância dos brasileiros desde a década de 80 até meados de 2002 na tela do SBT. O desenho Pica-Pau foi criado em 1940 pelo artista de storyboard Walt Lantz, e fez história com sua risada marcante, e por sempre vencer quem atravessasse seu caminho. Em alguns episódios tem a companhia do cavalo Pé de Pano. Pica-Pau aparece em vinhetas marcantes do SBT como a de 2001 (Na Nossa Frente só Você) e 1993 (Se Liga no SBT).

2. Tom e Jerry
Clássico de Hanna-Barbera, Tom e Jerry ocupa a 2ª posição com louvor. O desenho, em sua versão antiga e nova, além da versão Kids, continua até hoje sendo exibido nas manhãs da emissora, com grande sucesso. Tom (gato) quer a todo custo capturar Jerry (rato), mas não conta com a esperteza do segundo, que sempre escapa de algum jeito. Jerry conta ainda com o aliado Spike, um cão que vive às turras com Tom. É nesse ambiente simples que surge um dos desenhos de maior sucesso da história.

3. Os Ursinhos Carinhosos
“Os Ursinhos Carinhosos, estão aqui para ajudar, se precisar é só chamar”. A musiquinha de abertura é chiclete e muita gente ainda se lembra dela de cor. Coloridos, cada qual com uma personalidade e poderes especiais. A missão dos simpáticos bichinhos era proteger a Terra de Coração Gelado e seu assistente atrapalhado Malvado. Criado em 1985 e exibido no SBT a partir do Show Maravilha, se tornou rapidamente uma sensação entre as crianças.

4. Ducktales
Esse, sem dúvida, foi um dos destaques da programação infantil do SBT na final da década de 80, tendo ganhado, inclusive, a grade dominical da emissora. Animação da Disney, liderada pelos patos Tio Patinhas e Pato Donald, surgiam os Ducktales, criação de Carl Barks, Jymn Magon e Fred Woolf, cuja abertura em português foi cantada por Luiz Ricardo, apresentador do SBT. Eram os quadrinhos invadindo a TV. As crianças agradeciam. E curtiam, muito.

5. O Fantástico Mundo de Bobby
Foram 80 episódios produzidos. Mas o suficiente para cair no gosto dos que assistiam o Bom Dia & Cia na década de 90 e início dos anos 2000. Bobby, um sonhador por natureza, convivia com a sua infância de maneira sempre engraçada, vivendo às turras com seus irmãos mais velhos, e não era compreendido por sua família por causa de sua imaginação fértil, que sempre o fazia meter em confusões.



6. Looney Tunes
Os Looney Tunes reúnem o que podemos chamar de “nata” da família Warner: Pernalonga, Patolino, Gaguinho, Piu-Piu e Frajola, Papa-Léguas e Coiote e vários outros. Todos esses desenhos ganharam a tela do SBT a partir do acordo do SBT com a Warner em 1999. Hoje ocupam espaço no infantil Sábado Animado, na emissora, inclusive com sua versão “Baby” que reúne as versões infantis dos personagens de sucesso.

7. Cavalo de Fogo
É incrível. Mas apenas 13 episódios fizeram de Cavalo de Fogo um dos desenhos mais marcantes da década de 80 no SBT. Uma moça de 13 anos vê seu medalhão brilhar e surge o Cavalo de Fogo, que lhe faz descobrir que era, na verdade, uma princesa de uma outra dimensão, tendo parado naquele local por fruto de uma maldição. Em busca de seu trono, ao lado do Cavalo de Fogo, acolhe aliados, e luta contra Diabolyn, criadora da maldição e aspirante a rainha do local denominado Dar-Shan. Show Maravilha e Oradukapeta, ambos infantis do SBT, foram os responsáveis a tornar o desenho um fenômeno.

8. Muppet Babies
A ingenuidade dessa série de TV de sucesso na TV americana que virou desenho animado era cativante. Tudo se passava num berçário, onde vários bichinhos aprontavam 1001 bagunças. Além de aprontar muito, havia, como na série original, interação com imagens de clássicos do cinema. A figura da babá do local era um mistério e todas as crianças da época imaginavam como seria seu rosto.

O blog Baú do Silvio fez também um ranking em vídeo, um pouco diferente, pois conta com Popples, Kissyfur, Fly e Punky. Confira:



Continuem acompanhando O Baú do Silvio, o blog especializado em Silvio Santos, com conteúdo diferenciado, exclusivo e original sobre o SBT.

8 de jul de 2011

Rua Dona Santa Veloso, 575

Era uma vez um terreno baldio, de várzea de rio, várzea mesmo, dessas que inundam, e não de jogar futebol, ali por onde o Rio Tietê deveria passar, caso não tivesse sido retificado para a construção das avenidas marginais. Foi lá que uma empresa jornalística chamada Folha da Manhã pensou em erguer um galpão de distribuições. Ali, veja só, onde sempre alagava, queriam guardar jornais e materiais perecíveis. Ficava na Rua Dona Santa Veloso, 575, no bairro da Vila Guilherme.

Não tinha nada em volta. Um brejo malcheiroso, logo atrás, seria no futuro a menina dos olhos de um tal Otto Baumgart, que ali construiria o shopping Center Norte e todo um complexo de vendas e exposições.



Mas o futuro logístico com entra e sai de caminhões e pallets não vingou. A Folha virou acionista da TV Excelsior, canal 9, que decidiu que aquele terreno Zona Norte de São Paulo não serviria mais para guardar coisas e sim para produzir sonhos e fantasias: seria um estúdio de televisão.

Quatro estúdios para jornais, novelas e shows, menos auditório, que ficava por conta do Teatro Cultura Artística, desde 1967 passariam a ser produzidos na Vila Guilherme, que também abrigava os depósitos e fábricas de cenários e figurinos, as salas de controle, de diretoria e tudo o mais que uma emissora de televisão precisa.

Aí a ditadura apertou, a Excelsior perdeu seu canal e a Folha da Manhã recebeu um novo inquilino: Silvio Santos, o moço que para aparecer em vez de pendurar melancia no pescoço, resolveu pendurar microfone. E deu certo. Ele trouxe sua produtora para aquele lugar, e começou a fazer filmes (Ninguém Segura Essas Mulheres), comédia (Praça da Alegria) e novelas (O Espantalho), e também um programa seu sem auditório (Silvio Santos Diferente).



Só que esse tal Silvio Santos era danado mesmo, e a produtora dele virou uma emissora de televisão. Então a Vila Guilherme começou a ferver de produções, seus corredores ficaram lotados de artistas, funcionários, gente que vinha assistir os programas. Exceto os grandes auditórios, que eram feitos no Teatro Silvio Santos lá no Carandiru.

Precisaram aumentar as instalações, e mais estúdios nasceram de um prédio ao lado. Era 1981.

Então a água começou a subir. Quase todo verão a natureza mostrava sua força e não se intimidava mesmo com o Otto Baumgart por perto, com todo seu império construído à base de Vedacit. As crianças fugiram da água que invadiu o palco do Bozo. Os jornalistas metiam o pé na lama, dentro do estúdio mesmo ou na rua, pois as notícias tinham que ser dadas, fosse como fosse ou de onde fosse. Em 1987, a Higitec precisou ser chamada para dar um reparo no estrago e ganhou agradecimento durante a programação.

Mas entre tantas dificuldades a enchente era apenas mais uma e o SBT naquele espaço virou vice-líder de audiência, conseguiu conquistar a simpatia do público e da crítica. Cresceu e apareceu.



Só que a TV do Silvio cresceu demais e aquele prédio que seria depósito e virou televisão ficou pequeno para as suas pretensões. O Homem-Sorriso começou a arquitetar de novo um outro velho plano: pegar o depósito do Baú e das Lojas Tamakavy, no quilômetro 18 da Via Anhanguera, em Osasco, e transformá-lo em um complexo de produções de TV.

As obras duraram alguns anos até que o tal depósito virou mesmo televisão, e aí o SBT começou a empacotar tudo para se mudar para sua nova casa. Fecharam-se as portas da Central de Produções do Canal 4 e também do Teatro Silvio Santos, no Carandiru. As pessoas não mais mandariam suas cartinhas para a Rua Dona Santa Veloso, 575, CEP 02090, nem mais haveria filas para caravanas, nem alvoroço nem artistas circulando por lá. O endereço seria outro a partir de 19 de agosto de 1997.

O prédio antigo, seus corredores, suas escadas, as plaquinhas de "silêncio, gravando", tudo se tornou inútil depois que o SBT desocupou a área e entregou as chaves à Caixa Econômica Federal, que se tornara a dona após receber a propriedade da Folha.

Também as enchentes acabaram pois na mesma época um piscinão foi construído acabando com o sofrimento dos moradores da Vila Guilherme. Puxa, até as enchentes foram embora!

Em 2001, um novo proprietário finalmente chegou para dar vida àquele lugar. O silêncio e o vazio não combinam com ele. A Igreja Bíblica da Paz adquiriu o prédio da Caixa. Mas toda mudança tem um pouco de sofrimento e os novos donos tiveram que dar uma mexida no imóvel, afinal ele não era mais uma televisão. E assim as paredes que eram derrubadas levavam consigo um pouco da história do que aconteceu naquele lugar.

Um funcionário do SBT teve a oportunidade única de testemunhar e filmar a demolição de parte dos estúdios. José Carvalho pôde ver desaparecer o Café do SBT, o posto do Banco Nacional, o estúdio de jornalismo, que deram lugar a um gigantesco templo para 3.772 fiéis. Deu a última e estranha olhada nas salas vazias.



Hoje a Igreja Bíblica da Paz continua lá. As portas de estúdios que não foram derrubadas e o teto continuam os mesmos. Por um daqueles mistérios do destino, o antigo estúdio dos infantis se transformou em sala de recreação para as crianças. A magia, de certa forma, ainda pulsa.

agradecimentos
José Carvalho
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