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10 de fev de 2011

O Silvio e Eu - com Caio Bruno

Desta vez a seção O Silvio e Eu é diferente. Caio Bruno, jornalista e participante de hoje, participou de um programa apresentado por Silvio, realizando o sonho de conhecê-lo e encará-lo frente a frente num jogo de perguntas e respostas.

Caio participou do programa Vinte e Um, em 2007, e naquela data escreveu o texto que iremos reproduzir, em que relata a sensação e a experiência de estar no palco do Homem Sorriso da TV Brasileira.

Mas antes, vamos às de praxe:

Como você começou a gostar do Silvio Santos?
Não me lembro ao certo, mas foi muito pequeno, uma das minhas primeiras lembranças é de assistir o Silvio.

Alguma pessoa te influenciou ou te incentivou a ser fã do Silvio?
Não. Em casa, o pessoal não assistia muito.

Qual programa predileto?
Show de Calouros e Topa Tudo Por Dinheiro

Você já teve algum problema por gostar do Silvio?
Não, não. O pessoal na escola e depois dela sempre me viu como um fã de TV mesmo.

Qual foi a maior alegria que Silvio Santos lhe proporcionou?
A de conhecê-lo pessoalmente e fazer meus domingos terminarem bem e leve.

E a maior frustração?
Acho que ele poderia participar mais das homenagens à ele e à história da TV (como o TV Ano 50 da Globo)

Qual foi a coisa mais interessante ou curiosa que te aconteceu por ser fã do Silvio?
Quando participei do programa dele, comentei com pouquíssimas pessoas e após 3 meses, quando o programa foi ao ar, recebi inúmeros scraps, e bastante e-mails. É a força de seu programa.

Você conhece outras pessoas que gostam tanto do Silvio Santos quanto você?
Sim, sim. O autor do blog, o Levy e o Jorge, pelo menos rs..

Qual a influência de Silvio Santos na sua vida?
Um exemplo de vida pela sua história, perseverança e poder de comunicação

Para encerrar, um recado para os leitores do Baú do Silvio?
Aproveitem enquanto esse mito ainda está vivo e na ativa. É o melhor apresentador da história da TV.

A palavra agora, é sua, Caio Bruno:

A inscrição

No começo do ano vigente [2007], em uma bela tarde, dessas que a gente fica na internet por falta de opção, resolvi entrar no site do glamuroso e moribundo SBT. Uma página até que bem feita, com hotsites sobre os programas e aquelas coisas básicas de uma emissora de televisão (exceto a programação do dia, que lá inexistia). De repente, um link me atraiu: “Participe de um programa estilo Céu é o Limite e ganhe dinheiro”. Bem, eu como velho ‘televino’ que sou já conhecia o tal programa e me inscrevi. O assunto que escolhera? “História da TV”, óbvio.

A entrevista frustrada

Dias, semanas e meses se passam até que numa tarde burocrática de julho eu recebo um telefona no celular - Alô Caio? Aqui quem fala é a diretora do programa ’21′, você se inscreveu no começo do ano né? Tem como vir aqui no SBT no sábado pra gente bater um papo? Claro que tinha. Iria realizar o sonho de conhecer a emissora que sempre gostara desde infância e por tabela, o dono dela, uma figura que habita o domingo e o sub consciente coletivo do brasileiro há 45 anos, pelo menos. No sábado marcado fazia um tempo nublado, e com uma carona, cheguei em Osasco onde fica a sede da emissora. Aquele lugar era enorme e vazio. Vazio, pois num sábado de manhã pouca gente trabalha, convenhamos. A entrevista com a diretora do programa não foi das melhores. As perguntas estavam desconexas e ela falou que iria me chamar de novo. Ali senti o baque. “Não vou participar”, pensei. Pensei errado. Sabiamente reparei em uma lousa branca que havia na sala da diretora com algumas anotações e uma delas era: “Temas a serem procurados: ‘Tim Maia, Tom Jobim, Roberto Carlos etc…” Como é? Roberto Carlos? Quem me conhece sabe que sou fã do cara, tenho dezenas de CDs e livros (o proibidão inclusive). Responder sobre ele seria uma boa. Bem, na segunda seguinte mandei um e-mail a eles: “Tá dificil falar sobre TV? Não tem problema, eu falo sobre Roberto Carlos”.

A primeira ida

Horas depois deste e-mail, me ligam de lá. É a mesma diretora do programa que falara comigo antes e dizia que tudo estava ok e que dali a uma semana eu participaria do programa. Um carro do SBT passaria pra me pegar ás 6 DA MANHÃ. Nessa hora, eu travei. Iria conhecer o ‘homem’. Não só conhecer, mas participar de um programa dele. Nessa hora, em um arroubo de prepotência eu pensei. ‘Vou participar do programa mais antigo da TV Brasileira. Entrarei para a história.’ Um dia antes da data combinada, o telefone tocou novamente: – Oi Caio, gostaria de confirmar com você amanhã, ok? Leve 2 mudas de roupa para as gravações e venha sem perfume porque o Seu Sílvio é alérgico. A quarta feira mal amanhecera e eu já estava acordado. Banho tomado, barba feita e roupa passada. O carro da emissora do “Bozo” passou 20 minutos antes do previsto. Sem problemas. Desci e para minha surpresa havia mais alguém no carro além do motorista. Era uma ‘colega de trabalho’ daqui de São Bernardo também. Ela iria participar pela segunda vez do programa e já me dava uns toques de como era lá. Conversando com o motorista e com ela, me acalmei um pouco. Um pouco. Chegando ao Sistema Brasileiro de Televisão, fomos a um camarim com mais uns 8 participantes. Um belo café da manhã nos esperava e eu, ansioso que só, comia feito louco e me entupia de café. Para meu desespero, o botão da minha calça caiu. Desespero pra quê? Uma senhora simpática que trabalha lá costurou pra mim. Ao mesmo tempo, em que as ‘telemoças’ e o Roque chegaram. Logo logo o ‘patrão’ daria as caras também. Muito bem. Depois de um par de horas de espera, vamos lá. Nos colocam crachá, microfone, mandam a gente ir conhecer o estúdio e maquiar. No fundo se ouvem as colegas de trabalho respondendo ás brincadeiras do senhor Abravanel. O show vai começar…

Agora é hora de alegria…

A produtora de palco nos coloca em um camarim em frente ao de Sílvio e do lado do estúdio. “É o camarim que o Gugu usa”, nos diz uma produtora. Mais uns minutinhos de espera e eu resolvo ir ao banheiro. Na hora em que estou lavando as mãos, ouço uma voz familiar passando pelos corredores. Aliás, familiar não. Mais que familiar. Uma voz encravada no cérebro de qualquer brasileiro com TV em casa desde 1962. Saio do banheiro e me deparo com aquela figura cumprimentando um a um de nós. É impressionante. É como ver um holograma. Cabelos cuidadosamente pintados, um belo terno e camisa em tom de azul, o microfone chumbado no peito e a voz incofundível perguntando quem nós éramos, sobre o que íamos falar e nos desejando boa sorte. A hora que cumprimentei Silvio Santos, me veio a cabeça as mais remotas lembranças dele. Desde quando era pequeno e assistia ao ‘Show de Calouros’ na casa de minha bisavó, até as tardes na ‘Porta da Esperança’, os finais de domingo no ‘Topa Tudo Por Dinheiro’, da minha vibração no carnaval, do meu nervosismo em seu sequestro enfim, de tudo. Realizei um sonho. Que vibração! Que carisma! Sílvio nos cumprimenta e vamos ao estúdio. Onde ele, antes de entrar no ar, apresenta ao auditório cada um de nós. O mais interessante é como SS conduz o auditório. Um verdadeiro animador e olha que a faixa etária presente era baixa. Em sua maioria jovens de 15 a 25 anos, assistindo a mais um programa de um senhor de 76. Meu nervosismo era nítido e foi comentado por todos. É impressionante o quanto o ‘homem do baú’, entende de televisão. Ele sabe conduzir o programa o tempo correto para ir ao ar. Um craque! Eu participei de 3 programas, e ganhei um dinheiro. Claro perdi na roleta por falta de sorte, acertei todas as perguntas, mas está valendo.

O fim

Na volta, cumprimentos e lamentações entre os participantes. A produção do programa realiza algumas funções burocráticas e logo os carros estão a nosso dispor. É hora de voltar. É hora de sair do universo do SBT e do universo de peões, roletas, carnês e sorrisos. Fui embora com a nítida impressão de que realizei – repito – um sonho. Conhecer a minha emissora preferida de infância e o meu ídolo máximo na TV e na comunicação.


aqui está a participação do Caio no Vinte Um:





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