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21 de fev de 2009

Os 21 anos de um programa histórico - parte 3 (final)

por Jorge Luis Monteiro

Leia a parte 1 aqui
Leia a parte 2 aqui



Talvez o momento de maior emoção daquele programa Show de Calouros foi uma pergunta feita por uma telespectadora em casa. Ela perguntou o nome completo de Silvio. Ele respondeu, sem pestanejar, que se chamava Senor Abravanel. E contou, com a voz embargada, a história de seus antepassados e de Don Isaac Abravanel, seu 15º avô, em linha direta, um dos mais ilustres judeus portugueses do século XV – estadista, líder da comunidade judaica ibérica, filósofo e rabino cabalista nascido em Lisboa, cujos escritos são ainda hoje estudados, e renomado financista na corte de Isabel e Fernando de Castela. Devido a perseguições religiosas, Don Isaac Abravanel mudou-se em precário estado financeiro para a Grécia, apesar de a Coroa espanhola querer sua permanência. "Don Isaac disse não. O povo judeu vai, e eu vou junto", contou Silvio Santos. Nesse momento, o animador fez uma breve pausa e respirou fundo, pois estava a ponto de não se conter e chorar.



Na Grécia, Don Isaac se estabeleceu na região de Salônica, onde a família Abravanel fincou suas raízes. O título Don passou a ser um prenome de família, traduzido para Senor, passando de geração em geração. O avô de Silvio se também se chamava Senor. Em Salônica nasceu Alberto, que imigrou para o Rio de Janeiro, passou a frequentar a comunidade turca e conheceu Rebeca Caro, com quem se casou. Alberto e Rebeca são os pais de Silvio Santos.

Os fatos mais importantes do programa, sem dúvida, foram seus discursos políticos. Como já mencionado, Silvio estava temeroso em encerrar a sua carreira devido ao problema das cordas vocais, e acabava de voltar dos Estados Unidos, onde fizera tratamento e a cirurgia na garganta.

Totalmente só no hospital, Silvio chorou como uma criança, e refletiu. “Chorei porque vi que o povo me dá amor, carinho, tem admiração por mim, se preocupa com minha saúde. E eu o que faço por esse povo? Nada. Palhaçada aos domingos. Será que um homem 57 anos de idade, com maturidade, inteligência, não poderia fazer algo a mais por esse povo? Será que esse homem que tem uma rede de televisão não pode dar um pouco mais para esse povo do que o circo, no bom sentido?”

Sozinho, refletiu sobre si mesmo e fez comparações entre a vida dos americanos e a vida dos brasileiros. A começar pela sua própria condição, de paciente de hospital. "Aqui, antes de entrar num hospital, tenho que passar na tesouraria, e lá, não" - convém lembrar que, na época, o sistema de saúde nos EUA e no Brasil não era dominado pelas redes de planos de saúde. Algumas de suas constatações o deixaram bastante incomodado. "O povo lá trabalha como uma máquina, me fez lembrar aquele filme do Carlitos. Trabalha e tem comida, casa, educação para os filhos, médico, remédio... e aqui, dizem que nosso povo é indolente... mas é melhor não falar nisso"

Perguntado se ele iria pra política, Silvio respondeu: “Caso decida abandonar a carreira artística, estaria sim num cargo público pra dar um pouco de mim, retribuindo todo o amor que meu público me deu nesses 25 anos, e não vou abrir mão de cinco pontos de ação nesse sentido: comida, casa, educação, assistência médica e transportes”.

Mas Silvio foi contraditório. No mesmo programa, disse que se o demônio da política o atacasse, saberia exorcizá-lo. Na verdade, o Homem do Baú, sempre autoconfiante e seguro de si, estava fragilizado e indeciso a respeito de uma possível carreira política, além de se mostrar obcecado pelos cuidados de sua saúde.

E terminou o programa, às onze e meia da noite respondendo à jurada Aracy de Almeida: “Sou um homem que acredita na justiça divina, e que o bem sempre vence o mal. Se o mal vencesse o bem, não haveria razão para viver”. Veja abaixo:



O clássico programa teve uma repercussão enorme no pais todo, além de ter sido líder de audiência, derrotando o Fantástico da Globo, com 30 pontos e pico de 45 pontos. Além disso, a partir de então, os partidos e políticos influentes passaram a ver em Silvio “um novo Messias”, e flertaram com ele para que ingressasse na política. Mas isso é outra história.

Para saber mais sobre esse programa, leia o livro A Fantástica História de Silvio Santos, de Arlindo Silva. Editora do Brasil, 2001.

19 de fev de 2009

Os 21 anos de um programa histórico - parte 2

por Jorge Luis Monteiro

leia a primeira parte aqui.

Aquele Show de Calouros se tornou uma entrevista com o Patrão, com perguntas feitas pelos jurados, pelo auditório e pelo público de casa, via telefone. Muitas surpresas aconteceram, como por exemplo, Carlos Alberto de Nóbrega conversando com Silvio. O animador homenageou o pai de Carlos, Manoel de Nóbrega: “Você não está aqui ao meu lado, mas seu pai está dentro de mim”.

Carlos pergunta se Silvio realmente pensava em se aposentar, e Silvio foi direto: “Paro em 1991, aos 61 anos. Me afasto da televisão e vou fazer algo de útil pela sociedade. Deus queira que não fique ouvindo o matraquear da minha mulher e Deus queira que eu não entre para a política. Mas quem é dono de estação de televisão e não faz algo pela sociedade não merece ser dono de televisão”.

Carlos Alberto, emocionado, despediu-se e protestou: “Silvio, você não tem o direito de se afastar da televisão”.

Um momento marcante e engraçado foi a pergunta do jurado Sérgio Mallandro. “Silvio Santos, o povo quer saber: quando, como, onde e com quem o senhor perdeu a sua virgindade?” Silvio responde, sem titubear:



Silvio emendou: “Na primeira vez funcionou, mas na segunda a moça queria fazer umas coisas que me deixaram com medo. Ela queria fazer algo que se chamava bouchet e até hoje não entendi nada do que era aquilo!” O auditório caiu na risada.

Entre mensagens de fãs e de telespectadores, Silvio falou sobre a sua saúde; da necessidade de um horário obrigatório para jornalismo na televisão; da volta a peso de ouro de Gugu para o SBT após ter sido contratado pela Rede Globo; do seu suposto caso com Sonia Lima; da dúvida se ele era ou não dono da Record (Sim, ele era dono de 50% das ações da emissora), mas no programa ele fala que era de seu sobrinho Guilherme Stoliar...

Teve tempo ainda para criticar a conduta da Rede Globo, que não exibia propagandas feitas por artistas de outras emissoras. Disse que iria falar com o Roberto Marinho no dia seguinte para resolver a questão. “Isso é coisa do Boni, do Daniel Filho, de um daqueles da Globo. Isso eu tenho certeza que o dr. Roberto vai acabar, porque não é coisa dele”.

Renato Barbosa também participou do programa, com uma paródia de Saudosa Maloca em homenagem ao Silvio Santos.

CONTINUA...

Leia a última parte aqui.

17 de fev de 2009

Os 21 anos de um programa histórico - parte 1

por Jorge Luis Monteiro

No dia 21 de fevereiro de 1988, a partir das 20h 30min começava, para muitos, o maior programa da carreira do animador Silvio Santos. Uma edição do Show de Calouros ao vivo, mostrando a volta de Silvio, após um mês fora das telas e duas semanas de internação hospitalar em Boston, nos EUA.

Silvio, que estava com problemas nas cordas vocais desde agosto de 1987, tinha uma preocupação em mente: se essa doença fosse grave, ficaria impedido de realizar seus programas. O público acompanhou o sofrimento do artista, com muitas orações.

Durante as duas primeiras semanas de ausência, foram exibidas reprises do Programa Silvio Santos. Nas duas semanas seguintes, o programa foi substituído por filmes e enlatados americanos e concertos musicais.

E logo na abertura do programa histórico, vimos que ele ia fazer um programa e tanto. Chegou usando novos relógio e pulseira, lentes de contato verdes e emocionando o público, que delirou com a sua volta, e cumprimentando seus jurados com uma alegria ímpar: Sérgio Mallandro, Décio Piccinini, Sonia Lima, Aracy de Almeida, Nelson Rubens, Wagner Montes e Flor.

Na primeira meia hora, vimos um Show de Calouros normal, com as atrações rotineiras, como o concurso das "moças que dançam" e o "desafio vale tudo", com um concurso de dança, além dos tradicionais jingles de patrocinadores.



Mas, depois, o programa muda de ritmo, vai para o lado emocional. Silvio Santos chama Hebe Camargo pra receber o Troféu Imprensa de Melhor Apresentadora de 1986, e ela, de surpresa, entrega para Silvio o prêmio de melhor animador de 1986, deixando-o envaidecido. Hebe demonstrou toda a sua alegria pela volta do animador, exclamando que "o domingo sem Silvio Santos ficou extremamente sem graça".



Silvio começa a fazer do seu Show um programa-desabafo, de onde sairiam revelações surpreendentes sobre sua carreira, sua vida pessoal e principalmente, sobre suas aflições para com seu futuro.



Falou sobre seu casamento com Cidinha, sua primeira mulher. Silvio confessa para milhões de telespectadores que se sente arrependido por tê-la escondido do público, por vaidade, e também por ter “ido atrás” de outras mulheres. “Hoje, quando vejo meus colegas fazendo isso, penso como são infelizes”, disse Silvio. “Por imaturidade escondi minha mulher e minhas filhas para ser o galã”.

Silvio explicou detalhadamente à Hebe e ao público todo o problema que teve nas cordas vocais e também sobre um pequeno tumor benigno que foi extirpado de sua pálpebra direita. Mostrou-se extremamente preocupado com a saúde, citando nomes de diversos médicos com os quais se consultou para tratar da coluna, dos joelhos, da próstata, da garganta etc. Achava que estava sendo vencido pela idade e pelos problemas de saúde que a velhice traz.

Antes de sair, Hebe exclamou: “Silvio Santos, você não vai morrer nunca! Nós não vamos deixar, porque Deus gosta do Silvio Santos!”

leia a parte 2 aqui
leia a parte 3 aqui
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