23 de fev. de 2013
Manoel de Nóbrega, 100 anos
Já contamos aqui n'O Baú do Silvio um pouco sobre este grande radialista e humorista e como o caminho dele se cruzou com o de Silvio Santos. Leia esse texto clicando aqui.
Aproveitamos a ocasião para contar, desta vez em vídeo, a história da amizade entre Silvio Santos, Manoel de Nóbrega e Carlos Alberto de Nóbrega contada através das imagens de que dispomos em nossos arquivos.
Trabalho, companheirismo, amizade verdadeira e gratidão construíram o sucesso de Silvio Santos e foram os pilares do Baú da Felicidade e do SBT.
13 de nov. de 2009
Chame pelo apelido

Silvio Santos teve muitos apelidos durante sua vida. Alguns conserva até hoje; outros ficaram no passado mas são ainda lembrados. Vamos conhecer alguns:
ABRAVANEL
Silvio Santos era chamado por seu sobrenome verdadeiro entre os companheiros da Escola de Paraquedistas de Marechal Deodoro, nos tempos de serviço militar. Em setembro de 1980, quando Silvio estava em Brasília, fazendo contatos para a concessão dos canais da extinta Tupi, foi assim chamado pelo Ministro da Aeronáutica Délio Jardim de Mattos, seu superior no quartel, que imediatamente o reconheceu.
CENOURINHA
Era esse o apelido do animador nos tempos de escola. Trata-se de um trocadilho infantil com o nome verdadeiro de Silvio, Senor.
CHEFE
Esse apelido é novo. É assim que sua filha número 3, Daniela Beyruti, diretora-geral do SBT, se refere a ele para os internautas que a seguem no Twitter. Daniela é sempre elogiosa e demonstra tremenda admiração e vontade de agradar ao "chefe".
HOMEM DO BAÚ
Se fosse o apelido de qualquer outra pessoa, poderíamos pensar se tratar de um terrível vilão que põe medo em criancinhas, como o homem do saco. Mas não é nada aterrorizante, pois o baú em questão é o Baú da Felicidade, empresa que deu origem ao Grupo Silvio Santos, e cuja imagem se confunde com a do próprio empresário.

HOMEM-SORRISO
Apesar de pouco empregado atualmente para identificar Silvio, esta alcunha ainda é bastante lembrada. No final dos anos 60, o Programa Silvio Santos, com pouco mais de 8 anos de existência, já era um tremendo fenômeno de audiência, líder absoluto em São Paulo e também chegando ao Rio de Janeiro. E já nessa época, a publicidade da TV Globo anunciava o animador do Canal 4 carioca e do Canal 5 paulista como o Homem-Sorriso da televisão brasileira.
NECO
Aparecida Honoria Abravanel, a Cidinha, foi a primeira mulher de Silvio Santos. Sua mãe, Dona Gina, era dona de uma pensão, para onde Silvio se mudou após o casamento. A forma carinhosa pela qual Cidinha chamava seu amor era Neco, uma contração de "boneco". Sempre preocupada com o marido, mesmo hospitalizada, Cidinha não deixava de perguntar ao seu Neco se ele havia tomado o café-da-manhã. Ela faleceu de câncer aos 38 anos.
PATRÃO
Parece que quem começou a chamar Silvio de Patrão foi a jurada do Show de Calouros Elke Maravilha. Elke chegou ao programa vinda do Cassino do Chacrinha, no qual chamava o Velho Guerreiro de Painho, de maneira muito afetuosa, mas com Silvio teve uma relação de um pouco mais de afastamento, mas sempre com muito respeito e profissionalismo, o que explica a alcunha de Patrão. Os demais jurados e até o Lombardi passaram a chamar Silvio assim, até que Silvio começou a não achar mais graça, pois a brincadeira dava um ar de superioridade que não lhe agradava, e o apelido foi caindo em desuso, embora sempre fosse lembrado. Voltou com força total recentemente, com Lívia Andrade.
PATRÃOZINHO
Maísa com frequência tem se dirigido ou falado de Silvio desta maneira, tanto em seu programa quanto no palco ao lado do animador.
PERU QUE FALA
Silvio começou a trabalhar na Rádio Nacional de São Paulo ao lado daquele que se tornaria seu pai profissional e grande amigo, Manoel de Nóbrega. Além da rádio, animava shows de circo e tinha sua caravana de artistas. Passou a viver rodeado de figuras como Ronald Golias, Carlos Alberto de Nóbrega, Canarinho e Moacyr Franco, amigos próximos, que trabalhavam juntos e viviam a aprontar boas peças uns contra os outros. Silvio ficava muitas vezes envergonhado, quando estava no ar pela rádio lendo um texto em tom sério e cutucavam-lhe e chegavam ao ponto de baixar suas calças para desconcentrá-lo. Ou quando, diante da platéia dos shows, ficava um pouco nervoso. Nessas situações, ficava com o rosto muito vermelho. Golias logo o apelidou de Peru Que Fala, e esse ficou sendo praticamente seu segundo nome artístico. Tanto é que a primeira marchinha de carnaval que gravou era intitulada "Marcha do Peru", e sua trupe de artistas passou a ser conhecida como a Caravana do Peru Que Fala.

SILVIO
Pois é, Silvio também é um apelido. Sua mãe, Rebeca Abravanel, não gostava muito do nome Senor, pois achava muito formal, e desde pequeno sempre preferiu chamá-lo de Silvio.
SILVIO SANTOS
Silvio explicou a Arlindo Silva no livro A Vida Espetacular de Silvio Santos (editora L'Oren, 1972) que certa vez, participando de mais um dos inúmeros concursos de locução em rádio em que concorreu, desta vez no programa de calouros de Jorge Cury, identificou-se ao produtor como Silvio. Mas Silvio de quê? Silvio Santos, porque os santos ajudam, respondeu o garoto, num estalo. Inventou na hora o nome artístico que o acompanharia pelo resto da vida.
SISSI
A forma diminutiva do nome do Silvio foi usada esporadicamente. Rodolfo e ET, por exemplo, no quadro do Domingo Legal em que diziam que iriam acordar Silvio Santos, assim se referiam a ele. No atual Programa Silvio Santos é Lívia Andrade quem adotou esta forma de chamar o seu Patrão.
TIO SILVIO
Xuxa, a Rainha dos Baixinhos, assumia-se "sobrinha" do Homem do Baú. Quando Silvio lhe enviou um telegrama parabenizando-a pela conquista de mais um Troféu Imprensa, Xuxa agradeceu, no ar, pela Globo, ao "Tio Silvio". E assim se referiu a ele quando o encontrou pessoalmente no palco do Show de Calouros.
Esqueci de algum apelido do Silvio? Então me avise para que eu possa acrescentar!
atualizado em 20.3.2011
3 de set. de 2008
Grupo Silvio Santos - 50 anos

O Grupo Silvio Santos completa este ano seu 50º aniversário. Na verdade, é o 50º aniversário do Baú da Felicidade, empresa que deu origem a tudo. Passaram 50 anos e a pequena Distribuidora Ali Ltda., na qual Silvio se associou a Manoel de Nóbrega, se transformou num conglomerado formado por mais de 30 empresas, de comunicação (SBT), comércio e serviços (Baú, Liderança Capitalização, Vimave), financeira (PanAmericano), cultural (Teatro Imprensa, Centro Cultural Grupo Silvio Santos), cosméticos (Jequiti), construtora (Sisan) e hotel (Sofitel Jequitimar Guarujá) etc. etc.
Há 50 anos, era lutando pelo Baú da Felicidade que Silvio fazia shows e caravanas para vender carnês, e virava madrugadas trabalhando, na pensão da sogra Gina, com a mulher Cidinha, e mais alguns vizinhos e amigos, organizando notas e embrulhando os bauzinhos de presentes a serem entregues aos seus clientes. Assim foi o seu começo.
E desde domingo o SBT está veiculando em seus intervalos um comercial institucional do Grupo, atitude inédita nesses 50 anos. São mostradas algumas empresas do Grupo, e destacando-se o slogan "Pode sonhar que dá".Eu sou o Silvio Santos, que sonha em realizar todos os sonhos desse Brasil. Pode sonhar que dá!
Já está no YouTube:
21 de mar. de 2008
A Família Nóbrega - parte 3: A Praça, de pai para filho
Embora já tivesse participado da Praça da Alegria na redação e em quadros com seu pai, assumiu o lugar dele no banco em 1987, quando a Bandeirantes resolveu remontar o programa, agora batizado de Praça Brasil. Carlos Alberto saiu da Globo, na qual por vários anos escrevera para Os Trapalhões. Mas dois meses depois, uma proposta irrecusável de Silvio Santos levou quase toda a equipe da nova praça para a TVS. A Bandeirantes continuou com sua praça, mas a TVS quis demonstrar que a alma original do programa não estava mais lá, e por isso batizou o novo programa de A Praça é Nossa. Na TV dos Saad, Dionísio Azevedo assumiu o lugar de Carlos Alberto e, posteriormente, o programa passou a ser apresentado por Moacyr Franco.
Silvio Santos estava formando a linha-dura da emissora com artistas renomados, que alavancariam a audiência. E, melhor ainda, cercando-se de amigos. É bem verdade que Carlos Alberto estava brigado com o Homem já alguns anos, em razão de um mal-entendido (achava que Silvio tinha enganado seu pai em algo relacionado a ações de TV), mas os dois, que sempre se trataram como irmãos e melhores amigos, se reconciliaram - sobre o assunto, Carlos Alberto hoje em dia resume: "Fui um idiota". Disposto a trazer seus amigos para a emissora, Silvio continuou desfalcando a Bandeirantes, de onde já havia trazido em 1986 Hebe Camargo, contratando em 1990 Ronald Golias e, depois, Moacyr Franco.
O ano de estréia da Praça é Nossa foi marcante, pois o programa tornou-se um dos líderes de audiência da emissora e tornou-se febre entre as crianças. Uma revistinha de piadas também chegou a ser lançada. No primeiro programa, Silvio Santos apareceu para contracenar com Carlos Alberto e falar dos tempos do passado. Ele chegou brincando de camelô e dizendo que o programa não tinha hora para acabar, pois tinha vindo para conversar não apenas com um funcionário da emissora, mas com Carlos Alberto, o "seu irmão" (veja aqui). Em seguida, homenageou Manoel de Nóbrega e ambos ficaram muito emocionados (veja aqui). Carlos Alberto relembrou o momento para a Folha de S. Paulo: "Estava quase terminando a primeira "Praça' no SBT quando começaram os aplausos. Achei que estava abafando. Quando eu vi, era ele quem tinha entrado no palco. O Silvio se sentou ao meu lado e começou a falar da amizade que tinha com meu pai. Não consegui conter as lágrimas."
Simplício como Rosauro, o inocente menino caipira, torcedor do Ituano, que faz perguntas indiscretas a Carlos Alberto
O especial de Natal foi emocionante, mais uma vez cheio de remissões ao passado e ao velho Manoel. Carlos Alberto abraçou Marcelo (à época, um garotão, que nem sonhava em se tornar diretor do programa) e falou, ao lado de Simplício (Rosauro, o menino de Itu) e Emilio Fingoli (Nhô Moraes) da alegria de ver o sucesso do programa. "Sem falsa modéstia, não sabia mesmo a razão do sucesso da Praça é Nossa. É um programa velho, uma idéia velha, sem novidade nenhuma, numa estação que não tinha o privilégio de ter muitos primeiros lugares em audiência... e hoje eu descobri porquê este programa está fazendo sucesso. Porque ele é feito com amor".
A Praça é Nossa, assim, parece ser um programa feito entre amigos, num clima de muita cumplicidade, admiração e gratidão. Artistas que foram trazidos por Manoel da Nóbrega e continuaram fiéis ao clã Nóbrega, assim como Carlos Alberto continuou fiel a eles. Esta é a grande marca que, com o falecimento e afastamento dos humoristas mais velhos, acabou se perdendo aos poucos (e deixando muitas saudades no público). O programa que persiste hoje, nas noites de quinta-feira no SBT não tem o mesmo brilho do passado, mas continua feito entre amigos da velha guarda (alguns que começaram com Manoel de Nóbrega), como Canarinho (e seu sidekick, papel de Carlos Koppa), Buiú, José Miziara (que já fez de tudo no programa), Moacyr Franco (Mendigo e Suspiro - Jeca Gay), Arnaud Rodrigues (Coronel Totonho, Povo, Chitãoró etc.), Jorge Loredo (Zé Bonitinho), Clayton Silva ("Tô de olho no sinhô!") e buscando trazer sempre novos talentos.
Assim o programa sobreviveu às duras e recentes crises do SBT. Agüentou firme a demissão de mais de 40 pessoas da equipe em 2003 e comemorou 20 anos no ar (na verdade, 50 anos da idéia da Praça da Alegria...) e 1000 programas da Praça é Nossa. E a imagem mais forte de amizade que permanece firme e forte é a de Silvio Santos com a família Nóbrega: "Se o Silvio deixar, fico aqui para apagar a luz no dia em que todo mundo for embora", disse Carlos Alberto à revista Veja, recentemente.
"A praça! A praça é do povo como o céu é do condor!" (Castro Alves)
YOUTUBE BONUS - apenas alguns dos muitos vídeos disponíveis na internet
http://www.youtube.com/watch?v=ssxf8qJWo8g - O Nobre Colega (Borges de Barros) dá uma lição de vida no emocionante especial de Natal de 1987. Depois, o Saco do Povo (com Wilson Vaz) e, por fim, Carlos Alberto abre seu coração para o filho Marcelo.
http://www.youtube.com/watch?v=9ombC_1oTA0 - Parte final do especial de Natal de A Praça é Nossa de 1987, com o quadro original da Dona Dadá (Alice de Carli), o Chefinho (Tutuca) e Seu Menezes (Aldo César).
http://www.youtube.com/watch?v=uTIEVKTZa9A - No auge da popularidade, Fernando Collor de Mello visita a praça e contracena com o Nobre Colega (Borges de Barros). Imagens com qualidade ruim.
http://www.youtube.com/watch?v=3nvllYn_k6c - Em 1990, o galã Mauro Maurício, de Araraquara (Carlos Leite), foi apresentado por seu incansável empresário Oliveira (José Miziara) a Hermano Henning, que acabara de ser nomeado correspondente do SBT em Nova Iorque.
http://www.youtube.com/watch?v=hBlff-PjEfg - Cenas de 1995: Velha Surda (Rony Rios) com Apolônio (Viana Junior), Vera Verão (Jorge Laffond) com Edna Velho, Batoré (Ivan Gomes) e uma esquete com Alexandre Régis e Márcio Alexsander Amaral.
http://www.youtube.com/watch?v=w33f0rLPo7o - Bronco (Ronald Golias), trambiqueiro dono do bar da praça, negocia com Hebe Camargo a reserva de algumas mesas para uma festa. E quer garantias para não levar prejuízo.
http://www.youtube.com/watch?v=VK8McQ-AzdY - Moacyr Franco e seus personagens Suspiro (Jeca Gay) e o divertido Mendigo.
http://www.youtube.com/watch?v=jNdJu6v_Er0 - Dois quadros do Homem do Telefone (Canarinho). No primeiro, apenas lendo jornal, atrapalha pela enésima vez um romance do personagem de Carlos Koppa, irritando a sogra (Marlene Silva) do noivo nervosão. Depois de uma curta esquete com Renata Brás, o Homem do Telefone mistura uma receita de feijoada a uma D.R. entre Koppa e Renata (que além de "namorar" Koppa em várias ocasiões, já deu em cima do Zé Bonitinho várias vezes...).
http://www.youtube.com/watch?v=AuusDqSadvY - O Profeta (Ronald Golias) responde às perguntas do povo.
MAIS CURIOSIDADES
Lista de personagens da Praça: http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Pra%C3%A7a_%C3%A9_Nossa
Site oficial do programa: http://www.sbt.com.br/apraca/
Em 1991, para reforçar o apelo do programa com a criançada, que adorava principalmente a Velha Surda, o Pacífico e o Explicadinho, foi lançado um álbum de figurinhas, que hoje é raríssimo de ser encontrado:
Em breve, aqui no Baú do Silvio, mais informações sobre Carlos Alberto de Nóbrega e A Praça é Nossa.
19 de mar. de 2008
A Família Nóbrega - parte 2: Manoel e a Praça
Em maio de 1957, estreou a Praça da Alegria na TV Paulista, canal 5, das Organizações Victor Costa transmitido do auditório da Rádio Nacional, na Rua das Palmeiras. Sentavam no banco: Vivaldino (Chocolate), Pacífico (Ronald Golias), Dona Catifunda (Zilda Cardoso), Nobre Colega (Borges de Barros), Rosauro e o Homem de Itu (Simplício), além de Daniel Guimarães, Canarinho, Pitanga, Walter D´Ávila, Carlos Alberto de Nóbrega e muitos outros. De lá migrou em 1965 para a terça-feira na TV Record, das oito às dez e quinze da noite. Após alguns períodos fora do ar, Silvio Santos a levou para seu programa dominical na Tupi. As principais filmagens que sobreviveram da velha praça são destas exibições aos domingos. A reestréia teve um momento marcante: Silvio apareceu de surpresa, sentou no banquinho e falou com Manoel, agradecendo-o por tudo o que fez por ele. O velho Nóbrega quase não escutou, de tanto que chorou emocionado.
Manoel transmitiu a Carlos Alberto e, este, a Marcelo, uma fama de manteiga derretida. Paulo Marques, colunista da Revista São Paulo na TV escreveu em junho de 1968: "Quando Manoel de Nóbrega se emociona diante das câmeras dá até medo na gente. Este homem não pode faltar na TV. Os onze anos de sua Praça da Alegria é um testemunho do que afirmo. E quem tem a facilidade de transmitir alegria ao povo, com tanta propriedade, como Manoel de Nóbrega, precisa se cuidar, pois nós precisamos rir muito hoje em dia. Isto é uma necessidade".
Com a morte de Manoel, a Globo resolveu lançar o programa novamente no ano seguinte para homenageá-lo, escalando o showman Miéle para apresentá-lo. Carlos Alberto de Nóbrega e Arnaud Rodrigues encarregaram-se dos roteiros. No cast, Pacífico (Ronald Golias), Simplício (Garoto de Itu), Dona Catifunda (Zilda Cardoso), a Velha Surda (Rony Rios) e seu sidekick, Apolônio (Viana Junior).
Sobre este remake, Carlos Alberto de Nóbrega afirmou que tinha pesadelos horríveis: "Sonhava sempre que eu estava na praça e, de repente, aparecia meu pai. 'Vai lá, pai, senta no banco...', eu dizia para ele. Mas o Miéle, é bom que se diga, fazia o programa com um amor tremendo. Só que a Globo quis impor seu padrão à praça e não deu certo. Quando o programa acabou, juntei todos os scripts no quintal de casa e botei fogo. Não queria que nenhum outro filho da mãe pusesse as mãos naquilo outra vez...".
Em 1978, A Praça da Alegria com Miéle saiu do ar. Em 1986, a Bandeirantes lançava Praça Brasil, humorístico no qual Carlos Alberto de Nóbrega assumiria defitivamente o lugar do pai no banco da pracinha.
YOUTUBE BONUS
Rogério Cardoso interpreta um tipo caipira na Praça da Alegria (1974)
Walter D'Ávila num papel antológico na Praça: o leitor inculto (1974)
O cantor Roberto Carlos conversa com a Velha Surda na Praça da Alegria (Globo, 1977). O vídeo é de uma reprise exibida no SBT.
Continua...
9 de mar. de 2008
A família Nóbrega - parte 1: Manoel e o Baú
Ao mesmo tempo em que a Praça É Nossa chega ao seu milésimo programa, achamos justo falar um pouquinho da família que comanda o show. Começaremos falando sobre o patriarca Manoel de Nóbrega. Dele duas coisas todo mundo sabe, aliás, três: que deu uma grande chance para o Silvio Santos firmar sua carreira no rádio, que 'deu' o Baú da Felicidade para o Silvio e que inventou a Praça da Alegria.
Silvio Santos, além de radialista, era o "Peru Que Fala", animador de festas e comícios e líder de caravanas de artistas. Tinha um bar perto da Rádio Nacional, uma revistinha de passatempos e propagandas chamada Brincadeiras para Você. Quando entrou na Rádio Nacional, era locutor comercial e Manoel de Nóbrega tinha seu programa líder de audiência em São Paulo, Cadeira de Barbeiro. Silvio tinha uma carta de recomendação do irmão de Manoel, mas preferiu conquistar seu trabalho por méritos e só a mostrou ao Nóbrega após ser admitido pela rádio num concurso. Esse gesto impressionou Manoel, que passou a acompanhar de perto e com admiração o novo contratado. Pouco tempo depois, já estavam trabalhando no mesmo programa e haviam se tornado grandes amigos, passando a ter uma relação afetiva digna de pai e filho.
Silvio foi ajudar Manoel da Nóbrega a se livrar da falência num negócio de vendas de uma cesta de presentes, já que o sócio Walter Scketer (o 'alemão') deu calote e sumiu. Era o Baú da Felicidade, uma idéia boa: a venda em prestações pagas antecipadamente e, doze meses depois, no Natal, era entregue ao cliente um baú cheio de brinquedos. Silvio foi à sede, que ficava num porão ao lado do hotel Othon, na Rua Líbero Badaró (onde atualmente está sediada uma loja da Kopenhagen), com a missão de informar os fregueses do fechamento da empresa e devolver a eles a quantia paga. Dias depois, porém, já tinha na cabeça a idéia de que aquele empreendimento era possível e que daria certo. Começou a investir, trocou os brinquedos por louças e utilidades domésticas, colocou o esquema de sorteios de prêmios. Logo estava sorteando casas e carros e apresentando programas de televisão com a finalidade de divulgar a empresa. Mas o começo não foi fácil. Amigos e a esposa Cidinha embalavam pessoalmente os bauzinhos com os produtos, e assim passavam várias noites em claro. Enquanto isso, Manoel da Nóbrega fazia sua parte, anunciando o carnê do Baú na rádio, e Silvio, fazendo shows em praça pública e vendendo os carnês.
Exatos cinqüenta anos depois, o que era apenas o Baú da Felicidade tornou-se o Grupo Silvio Santos, conglomerado formado por 34 empresas. Manoel da Nóbrega saiu da sociedade alguns anos após Silvio entrar, deixando tudo com ele. Como não era bom negociante, ficou com medo de quebrar de novo, e Silvio estava sendo ousado demais. Silvio ficou extremamente grato com Manoel, e Manoel nunca se arrependeu do que fez; disse que Silvio transformou a pequena empresa num grande grupo econômico, e que "na minha mão, o Baú seria sempre apenas um baú".
Nóbrega continuou sua carreira no rádio, e na televisão apresentou sua grande criação A Praça da Alegria. Foi jurado de programas de calouros de Silvio e seu substituto durante alguns domingos, ocasiões nas quais usou o microfone de Silvio (veja mais em http://obaudosilvio.blogspot.com/2008/02/o-microfone-do-silvio-parte-2.html).
Continua...
8 de fev. de 2008
O Microfone do Silvio Santos - parte 2
Agora passemos a outros assuntos não menos interessantes.
A SIMBOLOGIA DA ORATÓRIA
Estudos de comunicação audiovisual destacam a importância e a simbologia do microfone no universo de Silvio Santos. Segundo o estudo de Suzana Kilpp, professora e pesquisadora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, no curso de Comunicação Digital , "há muito tempo já, o corpo eletrônico de Silvio Santos se fez voz, em relógios, em narração de histórias em CD, em outros jogos e brinquedos que são subprodutos da empresa de Senor Abravanel. Aliás, no SBT, a voz, a fala e os microfones são uma das partes importantes de sua identidade, muito mais do que as imagens e câmeras".
A análise foi retirada de um ensaio sobre o reality show Casa dos Artistas (disponível aqui), em que se destaca o aspecto personalíssimo de Silvio na condução desse programa, incluindo seu dom de orador. Além disso, o balcão que utiliza para se apoiar e o plano americano entremeado por cortes com imagens do auditório carregam no aspecto da imagem e da voz do apresentador.
O microfone grande e antiquado para os dias de hoje é "vestido" por Silvio com orgulho, senão já teria se desfeito dele. Nele estão guardadas as referências de suas origens na vida artística, como locutor de rádio. Não à toa ele sempre creditou à voz seu sucesso junto ao público.
OUTROS APRESENTADORES TAMBÉM USARAM O MICROFONE
Vamos listar aqui os felizardos que ostentaram em seus peitos, qual medalha de honra ao mérito, este símbolo da televisão.
1. CHACRINHA
Abelardo Barbosa de Medeiros também veio do rádio, mas assumiu um jeitão espalhafatoso, diferentemente de nosso herói, que sempre procurou vestir-se com ternos bem cortados. Um microfone idêntico ao de Silvio foi usado por Chacrinha durante alguns anos de sua carreira, mas com uma adaptação para afixação em seu corpo menos caprichada; porém trocou-o por outros mais modernos. Não gostava de microfones de lapela; preferindo os maiores, mais adequados à sua vestimenta estrambólica. Na Globo, no fim da carreira e da vida, usava um Shure SM58, microfone padrão entre as emissoras de TV.
2. MANOEL DE NÓBREGA

Esta é uma descoberta que fizemos recentemente: o pai artístico de Silvio Santos e fundador da 'dinastia Nóbrega' na televisão, radialista e deputado, um dos mais conhecidos comunicadores dos anos 50 e 60, criador do célebre programa A Praça da Alegria... aparece na foto ao lado de Edith Veiga, durante um quadro do Programa Silvio Santos, ostentando o microfone do amigo. Como não há informações, acreditamos que Manoel estava substituindo Silvio na apresentação do programa, em meados dos anos 70, razão pela qual vestiu o brilhoso microfone. A foto foi descoberta no site oficial da cantora.
3. LÉO SANTOS
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4. RAUL GIL

Raul Gil em sua passagem pela emissora usou microfone igual ao de Silvio na condução de seu programa de sábado, mas sem o suporte de pescoço, e segurando-o na mão. Ele era o substituto do Patrão no Programa Silvio Santos naquele tempo, isto escrito em cláusula de seu contrato. Antes de chegar ao SBT, Raul Gil trabalhou em outras emissoras, nas quais usou o microfone preso ao pescoço, tirando-o desta posição apenas para cantar e entrevistar. Na última abertura do Programa Raul Gil na Record, antes de sua transferência para a Bandeirantes, há alguns anos, aparecia uma foto de Raul com o microfone. Ao ver a foto, tente desviar a atenção das estampas do paletó e localizar o microfone...
5. J. SILVESTRE

Um dos mais conhecidos e respeitados mestres de cerimônias televisivos, J. Silvestre integrou o elenco do SBT em seus primórdios, na condução dos programas A Mulher é um Show e Show sem Limite. Usou o microfone famoso no peito por um curto período, mas, antes de ingressar no SBT já havia utilizado outros microfones pendurados no pescoço de forma semelhante, nas emissoras pelas quais havia passado.
6. BOLINHA

O animador do Clube do Bolinha, programa histórico das tardes sabadais da TV Bandeirantes, Édson Cury, utilizou durante algum tempo em meados dos anos 70 um microfone adaptado no pescoço. Na foto, aparece ao lado de sua filha e do cantor Ricardo Coração de Leão, a cujo acervo pertence esta imagem.
7. SÉRGIO CHAPELIN

O respeitado apresentador do Globo Repórter deixou a Globo em 1983 para comandar o Show Sem Limite, programa de auditório do SBT originalmente apresentado por J. Silvestre. Era um sonho antigo dele, ser animador. Além disso, queria fazer propagandas e faturar um dinheirinho, coisa que na Globo não é permitida até hoje para jornalistas. Apesar da boa audiência do programa, retornou à emissora dos Marinho no ano seguinte, pois os comerciais que fizera foram boicotados por lá, dando-lhe pouco retorno financeiro.
8. GUGU LIBERATO
O jovem pupilo do Patrão saiu da Sessão Premiada para apresentar o Viva a Noite. Lá, tornou-se um grande apresentador e conquistou grande audiência... usando por vários anos o microfone de Silvio Santos. Vários vídeos da primeira fase do Viva a Noite mostram Gugu com o apetrecho no pescoço. Com a reformulação do programa, Gugu passou a definir seu estilo próprio, deixou de usar o microfone estiloso mas continuou vestindo terno e gravata.
Em 2000, Gugu teve a clavícula quebrada e precisou ficar com o braço imobilizado. Entrou em cena em seu Domingo Legal utilizando o microfone emprestado do Silvio Santos, para ter mais conforto na apresentação ao vivo do programa. Porém, por falta de prática da técnica do programa e do próprio animador, o microfone apresentou falhas de funcionamento e Gugu acabou usando o seu microfone mesmo, com alguma dificuldade de movimento.

9. PAULO BARBOZA

Conhecido por seu programa de rádio nas emissoras AM paulistanas e cariocas, o comunicador Paulo Barboza trabalhou na televisão no SBT, na Bandeirantes e na Gazeta. Na emissora da Avenida Paulista, Paulo comandou um programa de auditório no final dos anos 80 e começo dos anos 90, no qual agia de forma muito semelhante ao Homem do Baú, além de usar um microfone igual ao de Silvio Santos no peito.
10. OSCAR PARDINI

O conhecido humorista do grupo Café Com Bobagem pode se vangloriar de ser o único imitador de Silvio Santos que usou o microfone oficial do Homem do Baú, fazendo-o em alguns quadros na Praça é Nossa e no Domingo Legal. Não era réplica ou um modelo igual, era o verdadeiro. Tal como Gugu, J. Silvestre e Chapelin, Pardini usava exatamente o mesmo microfone do Silvio, mas com uma diferença: no seu caso o microfone não funcionava.
Pardini, de tão bom imitador do Silvio, ganhou de presente do Patrão um microfone quebrado que pertencia ao próprio animador. Era aquele que Silvio Santos usava no dia em que caiu na água, no programa Topa Tudo por Dinheiro!
11. CEARÁ
O humorista Wellington Muniz, do Pânico na TV, é obcecado por fazer uma imitação bem parecida com o Silvio Santos original. Ele já contou em entrevistas que construiu uma réplica do microfone do Patrão, aproveitando seu conhecimento de torneiro mecânico. Tempos depois, Ceará descobriu qual era o modelo do antigo equipamento e conseguiu comprar um microfone idêntico ao do Silvio, e funcionando. Confeccionou o suporte para pescoço e passou a usar o microfone no palco do Pânico. Nas externas, por questões técnicas, usa a réplica.
Com estas informações encerramos a saga do Microfone, por enquanto. Até surgirem novidades nesse assunto. Espero que as informações apresentadas tenham sido interessantes.
Atualizado em 3/6/2008, 15/6/2008, 17/09/2011 e 17/06/2012.
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