
Um dos assuntos que mais me atraem falar nesses 30 anos do SBT são os equipamentos técnicos da emissora. Já falamos dos microfones, dos estúdios, da grua, do teatro... ainda falta falar das viaturas (em breve mostraremos diversas pinturas diferentes dos veículos de externa e reportagem dos anos 80) e agora chegou a vez das câmeras.
As câmeras que equipavam os estúdios da Central de Produções da Vila Guilherme e do Teatro Silvio Santos eram basicamente câmeras de tubo plumbicon marca RCA, modelo TK-46, com lentes Schneider-Kreuznach, caracterizadas por sua coloração bege-cinza e suas faixas azuis e pretas (essa pintura vinha de fábrica). Além destas, havia outras utilizadas em externas e nos ombros de operadores, notadamente modelos portáteis americanos da RCA e japoneses da Ikegami.
As primeiras câmeras TK-46 chegaram em 1978 em substituição às TK-45, um modelo anterior, que foram perdidas no incêndio do Teatro Manoel de Nóbrega, na Pompéia. Depois que este auditório se incendiou, a TV chegou ao antigo Cine Sol, no bairro do Carandiru. Inicialmente, as câmeras TK-46 tinham sido encomendadas para equipar a TV Record, que na época pertenciam ao Grupo Silvio Santos.
As TK-46 estiveram presentes no Teatro Silvio Santos entre 1978, ano de sua inauguração, até meados de 1994, quando foram substituídas por modelos Ikegami HK-355A, equipamentos muito mais modernos. Desde então, as velhas RCA foram para o almoxarifado técnico e, depois, algumas delas passaram a ficar em exposição permanente na Galeria da Fama, espécie de museu dedicado à emissora, num dos saguões do Centro de Televisão da Anhanguera.
A família de câmeras TK-44 a 46 foi uma das mais bem sucedidas linhas de gravação profissional da RCA no mundo inteiro. O modelo TK-45, muito parecido com o 46 e com ele confundido até pelo SBT, que assim identificou a câmera numa placa na Galeria da Fama, também foi utilizado pela emissora e, no México, fez as gravações de Chaves e Chapolin, na metade final da década de 70, na Televisa.

Duas câmeras encontram-se expostas no SBT. Uma delas possui um número 1 dentro de um círculo vermelho, característico das câmeras utilizadas no Teatro Silvio Santos, e a chamaremos de #1. A outra não possui número algum identificando-a, podendo ter sido usada na Vila Guilherme.

A #1 era muito utilizada na grua do teatro, realizando tomadas aéreas do palco e do auditório. Também aparece ao fundo de uma famosa imagem do documentário Silvio Santos, uma história de sucesso, de 1981, em que Silvio Santos se dirige aos seus funcionários do Grupo.

A #2 e principalmente a #3 eram mais utilizadas no centro do auditório, registrando o plano aberto do palco. Aqui, vemos a #2 durante gravação do Domingo Legal em 1993.

Com a aposentadoria das velhas RCA TK-46, as câmeras japonesas Ikegami com lentes Fujinon passaram a dominar o espaço e melhoraram a imagem do SBT. A HK-355A a substituiu no teatro e na grua em 1994.
Essas câmeras ainda estão em operação no estúdio 6 do CDT da Anhanguera, sendo as mais antigas do SBT, e são utilizadas no Programa do Ratinho e no Casos de Família.



