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19 de mar de 2008

A Família Nóbrega - parte 2: Manoel e a Praça

Diz a lenda que tudo começou em 1956, quando Manoel de Nóbrega, da sacada de um hotel em Buenos Aires, observou um homem sentado num banco da praça em frente, alimentando pombos e conversando com quem passava. Daí teve a inspiração para um programa de humor dividido em esquetes, como é até hoje a tradição da comédia brasileira, tendo por cenário a simplicidade da pracinha, sem a necessidade de ter diferentes cenários para cada quadro do programa. Bom e barato. Ficaria sentado, lendo seu jornal ou sua revista Amiga-TV Tudo, e serviria de escada para os comediantes que participariam do show. Carlos Alberto de Nóbrega confirma esta versão (veja neste vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=EkPU6jdkfd8)

Em maio de 1957, estreou a Praça da Alegria na TV Paulista, canal 5, das Organizações Victor Costa transmitido do auditório da Rádio Nacional, na Rua das Palmeiras. Sentavam no banco: Vivaldino (Chocolate), Pacífico (Ronald Golias), Dona Catifunda (Zilda Cardoso), Nobre Colega (Borges de Barros), Rosauro e o Homem de Itu (Simplício), além de Daniel Guimarães, Canarinho, Pitanga, Walter D´Ávila, Carlos Alberto de Nóbrega e muitos outros. De lá migrou em 1965 para a terça-feira na TV Record, das oito às dez e quinze da noite. Após alguns períodos fora do ar, Silvio Santos a levou para seu programa dominical na Tupi. As principais filmagens que sobreviveram da velha praça são destas exibições aos domingos. A reestréia teve um momento marcante: Silvio apareceu de surpresa, sentou no banquinho e falou com Manoel, agradecendo-o por tudo o que fez por ele. O velho Nóbrega quase não escutou, de tanto que chorou emocionado.

Manoel transmitiu a Carlos Alberto e, este, a Marcelo, uma fama de manteiga derretida. Paulo Marques, colunista da Revista São Paulo na TV escreveu em junho de 1968: "Quando Manoel de Nóbrega se emociona diante das câmeras dá até medo na gente. Este homem não pode faltar na TV. Os onze anos de sua Praça da Alegria é um testemunho do que afirmo. E quem tem a facilidade de transmitir alegria ao povo, com tanta propriedade, como Manoel de Nóbrega, precisa se cuidar, pois nós precisamos rir muito hoje em dia. Isto é uma necessidade".

Com a morte de Manoel, a Globo resolveu lançar o programa novamente no ano seguinte para homenageá-lo, escalando o showman Miéle para apresentá-lo. Carlos Alberto de Nóbrega e Arnaud Rodrigues encarregaram-se dos roteiros. No cast, Pacífico (Ronald Golias), Simplício (Garoto de Itu), Dona Catifunda (Zilda Cardoso), a Velha Surda (Rony Rios) e seu sidekick, Apolônio (Viana Junior).

Sobre este remake, Carlos Alberto de Nóbrega afirmou que tinha pesadelos horríveis: "Sonhava sempre que eu estava na praça e, de repente, aparecia meu pai. 'Vai lá, pai, senta no banco...', eu dizia para ele. Mas o Miéle, é bom que se diga, fazia o programa com um amor tremendo. Só que a Globo quis impor seu padrão à praça e não deu certo. Quando o programa acabou, juntei todos os scripts no quintal de casa e botei fogo. Não queria que nenhum outro filho da mãe pusesse as mãos naquilo outra vez...".

Em 1978, A Praça da Alegria com Miéle saiu do ar. Em 1986, a Bandeirantes lançava Praça Brasil, humorístico no qual Carlos Alberto de Nóbrega assumiria defitivamente o lugar do pai no banco da pracinha.

YOUTUBE BONUS

Rogério Cardoso interpreta um tipo caipira na Praça da Alegria (1974)


Walter D'Ávila num papel antológico na Praça: o leitor inculto (1974)


O cantor Roberto Carlos conversa com a Velha Surda na Praça da Alegria (Globo, 1977). O vídeo é de uma reprise exibida no SBT.



Continua...

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